quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Nada é por acaso ...

Foi em março deste ano. Tinha planejado iniciar minha participação no Cruzeiro Costa Sul de 2013 somente a partir de Cananéia, devido a compromissos profissionais assumidos. Outra tripulação, os amigos Garcia e Renato, levariam o Jazz 4 de Santos a Cananéia, onde me juntaria à tripulação.

Quando o motor do Jazz 4 apresentou problema na saída de Santos (logo em Santos, no seu porto seguro), pensei que novamente não iria conhecer o trecho entre Santos e Florianópolis (quando eu comprei o Jazz 4 tinha a intenção de participar do CCS 2011, porém o extravio da documentação encaminhada à Natal - RN pela GolLog, que era para chegar em 3 horas e foi encontrada 15 dias depois, atrasou a chegada do veleiro).

Mesmo sem meu veleiro, mantive a programação, peguei um ônibus até Cananeia com a esperança de seguir como tripulante em algum veleiro. Era um tiro no escuro! Cheguei já era noite e chovia. Informei minha situação ao Comodoro da Flotilha, Philippe Gouffon, que ficou de entrar em contato com os participantes no dia seguinte, dia da partida em direção ao Canal do Varadouro. Marcos Bernauer, do Centro Náutico de Cananéia, me auxiliou a encontrar uma vaga em um hotel, já que a cidade estava lotada.

No dia seguinte,  logo cedo, por telefone, a notícia: o veleiro Amar Sem Fim, da Família Yoshima, precisava de um tripulante para acompanha-los até Florianópolis. A Família Yoshima já morava há três meses a bordo do veleiro e esta era a primeira grande navegação.

Percebi com eles quais são os dois os principais desafios em morar no veleiro e ser livre para velejar. Diferentemente do que todos pensam, a maior dificuldade é largar tudo, desapegar, mesmo quando se tem o suporte financeiro para se manter nessa condição. E quando se tem filhos em idade escolar, o desafio de educar-los com ensino a distância ou homeschool. 

Tive o grande prazer de conhecer, velejar e conviver com a família Yoshima, inicialmente entre Cananéia e Joinville e, depois, entre Florianópolis e Rio Grande. Eles continuaram até Buenos Aires, onde estão até hoje. 

A história da família Yoshima no veleiro Amar Sem Fim você encontra no relato "Mudando de Rumo" recém postado no blog da ABVC.

O relato da navegação entre Cananéia e Joinville e entre Florianópolis e Rio Grande você encontra nas páginas neste blog.

 Veleiro Amar Sem Fim durante a navegação pelo Canal do Varadouro.

Helena e Ricardo durante o CCS 2013.

domingo, 2 de junho de 2013

Encontro Nacional da ABVC

Neste feriado de Corpus Christi participamos do 11º Encontro Nacional da ABVC, em Jurerê (Florianópolis). O evento foi muito bom, com palestras muito interessantes. Além disso, tivemos oportunidade de rever alguns de nossos colegas de velejadas e curtir três dias ensolarados de evento.
 Jantar de encerramento.
Jantar de encerramento.

domingo, 26 de maio de 2013

Nicolas fica em 2º

Nicolas, nosso tripulante mirim do Jazz 4 e também do Lexus, fica em 2º lugar na categoria principiante da 4ª etapa do Ranking Paulista de Optimist que ocorreu neste final de semana na Represa Guarapiranga.




quinta-feira, 23 de maio de 2013

Vídeo do CCS 2013 entre Cananéia e São Francisco do Sul

Demorou um pouco mas finalizei o vídeo sobre o trecho entre Cananéia (SP) e São Francisco do Sul (PR) do Cruzeiro da Costa Sul 2013. Serve para recordar ...


sábado, 11 de maio de 2013

Nicolas vence na classe Optmist

Em um dia de vento muito fraco na Represa Guarapiranga, Nicolas Bernal (11 anos), tripulante do Jazz 4 e também tripulante mirim do veleiro Lexus, ficou em 1º lugar na classe geral optmist na Taça dos Lagos, realizada sábado dia 11 de maio na Represa Guarapiranga.
Premiação da classe Optimist na 74ª Taça dos Lagos.
Nicolas atualmente faz parte da Flotilha da Garoa do YCSA, após ter cursado a escola de vela do YCSA (YCSA Sailing School).

domingo, 5 de maio de 2013

Velejadores brasileiros na Argentina

Neste último sábado, 27 de abril, dois veleiros brasileiros, Amar Sem Fim e Mohabon, chegaram à Argentina junto com o Crucero de La Amistad, em uma velejada de 22 horas a partir de Punta de Leste. Antes disso, ficaram 21 dias em Rio Grande (RS) esperando uma janela de tempo com condições favoráveis à navegação. A velejada de Rio Grande a Punta de Leste durou 37 horas, com metade do tempo navegando à vela.
Veja os comentários do comandante Ricardo Yoshima, do veleiro Amar Sem Fim:

"Os argentinos nos receberam maravilhosamente bem, estamos em marina, com água  luz, em um lugar muito bonito. É bem complicado entrar no Rio da Prata. Tem muito navio e não tem muita opção de navegar fora dos canais. Chegamos de manhã, pois chegar aqui a noite deve ser bem difícil. O clube que estamos tem uma entrada com pouco calado. Aqui a maré depende do mar e do vento, que pode ou não ajudar. Por, fim, estamos adorando a aventura. Estamos bem acomodados e tranquilos! Creio que mais brasileiros deveriam vir pra cá. A estrutura náutica põe o Brasil no bolso. Em um fim de semana o Rio da Prata fica congestionado de tanto veleiro. Você olha no horizonte e não acha uma brecha. É só vela na água  Deve ter uns 1000 clubes de vela. Há poucas lanchas e jets. O frio deve chegar em breve, esta semana há previsão de 2 graus a noite. A carne dos argentinos é maravilhosa, não há nada igual. E os preços estão muito atraentes para os brasileiros. Com 20 reais almoçamos toda a familia!"

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Crucero de La Amistad - De Floripa a Rio Grande

Fui convidado pelo comandante Ricardo, do veleiro Amar Sem Fim, a acompanha-lo de Florianópolis (SC) a Rio Grande (RS). 
A flotilha do Crucero de la Amistad ficou na Subsede Oceânica do Iate Clube de Santa Catarina (ICSC) por mais de uma semana a espera de uma janela de tempo com condições favoráveis para a descida até Rio Grande. Afinal, são 368 milhas náuticas, aproximadamente 3 dias de navegação sem opções de parada. Mas, não é nada mal ficar mais de uma semana ancorado na Praia do Jurerê.
O veleiro Amar Sem Fim e o veleiro Mohabon foram os únicos veleiros brasileiros a se juntar à flotilha do Crucero de la Amistad rumo a Buenos Aires. A flotilha do Crucero de la Amistad, com a presença dos dois veleiros brasileiros, era composta por 10 embarcações, relacionadas na tabela a seguir.

Veleiro
Modelo
Tamanho
Comandante
Fiaca
Roy 26
26
Osvaldo F. Contino  
Fragata la Argentina
One off 50 pies
50
Horacio Ferlise
Fugitivo II
Víctory 34
34
Osvaldo Casa
Gipsy Wind
Sol 105
34
Carlos Salvochea
Golondrina de Mar
Bora Bora 42
42
Cesar Ingratta
Placidez II
Plenamar 27
27
Juan Carlos Valeika
Superbebe HL
Plenamar 360
36
Horacio Insúa
Tregua
Pandora 32
32
Carlos Enrique Bazzini
Mohabon
Beneteau 47
47
Stephan Harabedian
Amar Sem Fim
Morgan 46
46
Ricardo Yoshima

 Subsede Oceânica do Iate Clube de Santa Catarina (ICSC) - "Veleiros da Ilha".
 Flotilha do Crucero de la Amistad ancorado na Subsede Oceânica do ICSC.
 Veleiro Amar Sem Fim abastecendo de água no pier da Subsede Oceânica do ICSC.
Ricardo (Amar Sem Fim) e Stephan (Mohabon) recebendo instruções do Comodoro do Crucero de la Amistad, Carlos (Gipsy Wind)
 Flotilha do Crucero de la Amistad ancorado na Subsede Oceânica do ICSC.
Por do sol na Praia do Jurerê.

SÁBADO DE PÁSCOA: Saímos de Floripa às nove da manhã do sábado de Páscoa. Desde a saída até o início da tarde havia uma chuva fina intermitente. A ondulação vinha de través o que também incomodava. Estávamos a todo pano (genoa, mestra e mezena) mais motor.
Após o meio da tarde o vento aumentou e firmou, o que permitiu que desligássemos o motor. O vento vinha de través. A partir deste momento não choveu mais. Ao final da tarde rizamos a mestra e pusemos o pau na genoa, pois o vento já estava muito de aleta. 
À noite, as estrelas surgiram de forma esplêndida e logo em seguida foi a vez da lua cheia nascer no horizonte. A ondulação havia baixado. Neste momento, fazíamos entre 6 e 7 nós somente à vela. Uma bela velejada! O vento foi aumentando e, consequentemente, a velocidade do veleiro, porém tínhamos que acompanhar a flotilha. Baixamos primeiro a mestra e fizemos asa de pomba com a mezena, pois o vento vinha de popa. Depois baixamos a mezena. Como estávamos ainda com velocidade acima da flotilha, enrolamos também a genoa. Mesmo assim, fazíamos uma média de 6,5 nós só com a genoa enrolada.

DOMINGO DE PÁSCOA: No início da manhã do domingo de Páscoa, após Laguna, o vento diminuiu. Desenrolamos a genoa e passamos o pau da genoa para bombordo. Fazíamos uma média de 4,2 nós. Na chamada geral das nove horas da manhã fomos avisados que o Amar Sem Fim e o Mohabon estavam cerca de cinco milhas à frente da flotilha e que devíamos ir bem de vagar para aguardar o restante da flotilha. Mantivemos a genoa, sem motor, fazendo uma média de 3,5 nós. O mar estava bem calmo e o céu limpo. 
Ao final da tarde o restante da flotilha nos alcançou e fomos juntos, motorando com a mestra e a mezena levantadas para minimizar o balanço, numa média de 5,5 nós. 
Ao anoitecer percebemos que a umidade do ar condensava em contato com a mestra. Era um prenúncio do que vinha pela frente. O céu estava estrelado e a lua logo surgiu. Por volta das dez horas da noite começou um forte nevoeiro. Por precaução, todos da flotilha mantiveram a mesma média de velocidade. Pelo radar do Amar Sem Fim estávamos à frente cerca de 1,5 Mn do Gipsy Wind e atrás certa de 1,5 Mn do Fugitivo II e Placidez. O nevoeiro durou até as quatro da manhã.

SEGUNDA FEIRA: O dia, como previsto pela neblina, amanheceu ensolarado e o mar continuava muito calmo. O vento era pouco e continuamos a motor. Depois o céu nublou e o vento aumentou um pouco, em uma orça folgada que não levava o veleiro a mais que 5 nós. Por isso íamos a vela e motor, fazendo uma média de 6 nós. 
Chegamos pouco depois das onze da noite nas boias barra do canal. Meia hora depois estávamos no local de fundeio combinado com a flotilha: dentro da entrada do canal. Já era meia noite. Lá já estava o veleiro Mohabon e o veleiro Fujitivo II. O restante da flotilha chegou ao decorrer da madrugada, exceto a Fragata La Argentina, que chegaria somente no dia seguinte, pois seu motor estava com pouco rendimento. No momento da ancoragem, havia 20 nós de vento leste que durou a noite toda. 
O percurso de Florianópolis à entrada do canal do Rio Grande durou 63 horas. Foi uma velejada tranquila, sem incidentes, tendo sol, chuva, neblina, vento (nunca acima dos 25 nós), calmaria, ondulação e mar calmo. 

Flotilha saindo de Florianópolis.
 Veleiros da flotilha vistos no horizonte.
 Velejada com direito a arco-íris ...
 ... e com lindo por do sol.
 Veleiro Placidez ancorado na entrada do canal junto com a flotilha.

No dia seguinte, saímos as 10h30 em direção ao Rio Grande Yatch Club (RGYC). Para isso, era necessário percorrer um longo canal, onde se encontra o Porto do Rio Grande. Havia uma forte correnteza contra que nos fez levar cerca de três horas para percorrer dez milhas. 

Percurso percorrido pelos veleiros no canal.

 
Flotilha navegando pelo canal rumo ao RGYC.
 Flotilha navegando pelo canal rumo ao RGYC.
 Flotilha navegando pelo canal rumo ao RGYC.
 Cidade de Rio Grande vista pelo canal.
 Cidade de Rio Grande vista pelo canal.
 Chegada ao RGYC.
 Chegada ao RGYC.


Na chegada, a equipe de apoio do RGYC nos informou o local de atracar no pier. Todos os veleiros ficaram atracados no pier. As instalações do Rio Grande Yatch Club (RGYC) são amplas e confortáveis. 

 Veleiro Amar Sem Fim atracado junto ao pier do RGYC.
Veleiro Amar Sem Fim atracado junto ao pier do RGYC.
 Rio Grande Yatch Club (RGYC).
Rio Grande Yatch Club (RGYC).

Infelizmente, devido a compromissos profissionais, tive que sair imediatamente para pegar o ônibus para Porto Alegre, que já havia feito reserva antes da saída de Florianópolis. Foram 5 horas de ônibus até Porto Alegre e depois o voo para São Paulo.